Conferência sobre carreiras jornalísticas dá início às comemorações do Curso

 

Foto: Nah Jereissati

 

“As vidas das instituições, construídas dentro de quatro paredes, atrás de mesas, nos escaninhos e portas abertas, também importam. Porque nelas se consagra, justamente, a força do coletivo”, com essa frase, Rafael Rodrigues, atual coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), deu início às comemorações do cinquentenário do curso. Em seu discurso, Rafael enfatizou a importância de se entender o passado e as mudanças ocorridas nele, para em seguida pensarmos no futuro da profissão.

A solenidade de abertura ocorreu ontem, (10), no Auditório Castelo Branco, da Reitoria da Universidade. Ao lado do coordenador do curso, compuseram a mesa Vládia Borges, diretora do Centro de Humanidades, no Benfica, onde o Jornalismo se localiza fisicamente; Daniela Dumaresq, vice-diretora do Instituto de Cultura e Arte (ICA), unidade acadêmica a que o curso pertence; e a estudante Lia Mota, do 7º semestre, integrante da atual gestão do Diretório Acadêmico Tristão de Athaíde (D.A.T.A).

O início das festividades foi marcado pela conferência “As mudanças estruturais do jornalismo e os impactos nas carreiras profissionais”, ministrada pelo professor Fábio Pereira (UnB). O evento, que segue até quinta-feira (12), contará com a presença de professores e profissionais da área  para dar continuidade a esse movimento pendular de analisar o passado e debater perspectivas para o Jornalismo.

 

A conferência

 

 Em seu discurso, Fábio promoveu uma reflexão a respeito do atual panorama de incertezas que circunda o jornalismo enquanto campo de atuação profissional e propôs, com base em entrevistas em profundidade com jornalistas de diversos segmentos, um perfil do profissional. Apesar dos números, que refletem uma clara queda na venda dos jornais, sobretudo impressos, o pesquisador observa com cautela esse momento dito crítico. “Há relatos desde a década de 1930 que indicam que o jornalismo está em crise. Sempre que um novo modelo surge, esse discurso se apresenta, mas o campo tem até hoje superado todas elas, então talvez a crise no jornalismo seja uma constante”, provoca.

Desde 2002, o pesquisador vem se dedicando à sociologia profissional e ao estudo da identidade dos jornalistas. Nesse período, entrevistou 32 profissionais da área, com faixa etária entre 24 e 54 anos, de diferentes plataformas e épocas, para comprovar como e que transições ocorreram nesse universo. “Algumas coisas, ao longo das gerações, não mudam. Como, por exemplo, a ideologia profissional; a ideia do jornalismo como um serviço público, isso não mudou”, acrescentou.

 

 Foto: Iury Figueiredo

 

 

Entre a universidade e a prática do estágio

 

Para o professor, há uma diferente avaliação de experiências vividas na universidade dependendo da idade do jornalista. Os mais novos, ou recém-formados, insistem em dizer que a faculdade “não serviu para muita coisa”, e que só aprenderam a fazer jornalismo dentro de estágios, na prática.

“Alguns entrevistados disseram que só se sentiram jornalistas de verdade quando conseguiram um estágio, ou quando fizeram uma cobertura importante ou quando foram contratados”, enfatizou Fábio. Já os jornalistas mais experientes, “talvez por não terem mais que provar nada ou comprar o discurso da empresa ou do chefe”, são mais tranquilos em assumir a importância da formação acadêmica.

 

Durante sua pesquisa, o conferencista percebeu que os estudantes dão muito mais valor à prática em si, além de transitarem entre várias plataformas como uma forma de adquirir aprendizado. Mas, cientificamente, não há, segundo ele, nenhuma comprovação de que quanto mais estágios se fizer mais sucesso profissional o estudante terá. “Sobre isso, o conselho que eu dou é: faça direito seu último estágio e o faça em uma empresa que você tenha possibilidade de ser contratado, esse é o estágio mais importante, independentemente de quantos você já fez”, alertou.

 

Gênero e mercado de trabalho

 

Outro ponto importante em sua fala, são suas conclusões a respeito das relações de gênero no mercado jornalístico. Segundo o pesquisador, ainda que o perfil dos estudantes e de jornalistas profissionais aponte uma maioria feminina, elas ainda são minoria nos cargos de chefia. Além disso, a carreira dos cônjuges ou companheiros e a maternidade também costumam ainda interferir nas decisões das profissionais.“Para vocês terem uma ideia, segundo a pesquisa, a maioria dos trabalhos freelance são feitos por mulheres de 30 anos, por que é o período em que muitas se tornam mães”, reforça.

 

Confira a programação de hoje:

 

11 de novembro (Quarta-feira)

 

14h: Apresentação de produções técnicas e científicas realizadas por estudantes e professores do curso.

16h: Conversa com historiadores e jornalistas que possam sistematizar fatos e fenômenos que animaram o jornalismo ao longo de 50 anos.

Adelaide Gonçalves – Professora do curso de História (UFC) para falar do jornalismo e de fatos jornalísticos de 1965 a 1985.

Nilton Almeida – Jornalista e doutorando em História - jornalismo e fatos jornalísticos de 1985 a 2005.

Inácio Aguiar - Jornalista e secretário de redação do jornal Diário do Nordeste - jornalismo e fatos jornalísticos de 2005 a 2015 com ênfase na convergência midiática.

Mediação: Mayara de Araújo (jornalista e professora da UFC)

18h: Memorial em homenagem a professores e servidores que tiveram importância intelectual e afetiva para o curso de Jornalismo ao longo de sua jornada.

Local: Auditório da ADUFC

 

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